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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

supostas horas antes.


*pra Daniela (que um dia resolveu ver o sol nascer pela última vez).

Nasceu o dia e ela se levantou da cama num salto; arregalou os olhos e a primeira vontade foi de abrir as janelas, no único intuito de deixar a claridade entrar. De se deixar iluminar pelo sol e seus raios invisíveis. Nasceu o dia e nela uma vontade nova de contrariar alguma coisa, alguma lei, algum resultado insatisfatório, alguma indelicadeza do destino; Ir de encontro, gastar sola de sapato, neurônio, discurso, ações, correr junto com o tempo, sem ultrapassá-lo, indo lado a lado, no páreo. Naquele exato dia, era fome, sentia tudo com uma força sobre-humana, capaz de derrotar seus maiores e mais violentos vilões. Uma coragem e uma covardia irreparável. E na linha do horizonte apesar da sua vista chegar ao fim, conseguiu um olhar além, uma caminhada além. Um momento em que há certeza, mesmo que diferente daquela que nutria antes, tomou conta de tudo, de todos os detalhes. Um sentimento de contrariedade e desespero ruidosos.

Nasceu o dia e o silêncio dos dorminhocos arranhou sua pele sensível, ferindo sua necessidade de ser ouvida mais uma vez. A raiva por ninguém ser responsável por absolutamente nenhuma dor que sentimos, e viu em suas mãos o poder de decidir não esperar o futuro, percebeu a responsabilidade de erguer ou arruinar uma vida frágil, de decidir ficar onde nada parecia funcionar, onde as drogas de alívio não aliviavam mais nada. Se olhou inteira por dentro e seus instintos auto-protetores foram incapazes de desobedecerem a seu rancor insistente do mundo. O coração oscilava desejos colidentes, muito além do bem e do mal, muito além do ser ou não ser, era algo como espinho sem flor; caminhos sem pontes, sem postes de luz. 

Nasceu o dia pra que ela se consumisse em apenas algumas horas do começo de uma quinta-feira, vestida com uma camisola de algodão, pés descalços, num dia de se levantar pra vida. Ela escolheu dormir pra sempre.


**desculpem a postagem não feliz, mas eu precisava expurgar.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

a velha pausa continua.



Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas..' 

[Rita Apoena]

*quase sem vir por qui, saudade danada..mas o tempo não tem me deixado tempo pros bilhetinhos.

*Passando pra deixar o meu mais sincero desejo de que todos tenham um dia bonito e iluminado de natal, e as mais belas alegrias pra o ano que vem. 


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

pra mim.


Hoje é meu aniversário. 
Um dia danado de bonito pra mim.
Se chover é pra lavar.
Se fizer sol, pra deixar mais iluminado.
Se trovoar é pra justificar uns abraços.
Se ficar nublado, pra justificar um vinho.
Se for um dia ocupado é porque o ano será de muito trabalho.
Se for tranquilo, será de descanso.
Se eu tiver problemas hoje é porque estou pronto para a batalha.
Se tudo se resolver, porque chegou a hora de receber.
Se eu receber os parabéns, eu sou amado.
Se alguns pessoas esquecerem, eu sou amado e meus amigos cheios de trabalho e futuro.
Se alguém importante esquecer, eu lembro.
Se eu esquecer, eles me lembram.
Cada abraço é um braço a mais na construção de coisas preciosas.
Porque hoje é um belo dia danado de bonito e começa dentro de mim.

[Tibério Azul]




*auto-carinho ;P



terça-feira, 22 de novembro de 2011

quando eu fico em paz..

Quando estou em paz é quando estou despertando
Transpirando todo dia pra honrar minha promessa
Quando estou em paz estou saindo de casa pro trabalho
Atravessando as ruas do cotidiano dos homens bons e dos maus
Tenso, louco e destrambelhado de feliz no meio do caos

Levemente áridos são os dias que eu mergulho pra emergir na noite
Quando estou em paz percebo que o amor é coisa breve
Se comparada com a demora da saudade que sempre se repete
Furo a fila dos acontecimentos e negocio amor com o pra sempre
Enquanto assimilo o que faria com o pra sempre se o pra sempre houvesse

De perto ou de longe o fundo do meu olho fez bons amigos
Quando estou em paz não ligo pra que serve a nave ou a neve
Só quero me embrenhar no infinito e correr todo o risco que há
Pra depois me banhar no simples palpite que nada disso serve
Que quando estou em paz todo dia me despeço um pouco do mar

Quando estou em paz vejo aquele eu te amo na areia da praia
A sorte vem compartilhada com os efeitos das risadas
Tem nada não se não for, pois já foi, pois já é, pois ficou
E hoje eu estou em paz, e quando estou em paz meu amor
De um lado tenho medo do frio, mas do outro transbordo calor

[C. Farias]

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

5 de março de 2009 em diante (eu vejo tudo enquadrado)


Outra vez me mudei de mala e cuia, só que desta vez pra mesma casa
Onde tudo ficou diferente, ainda sendo eu o mesmo de sempre
Sobraram coisas guardadas no baú onde bombeia meu sangue
Outras irrelevantes escoaram pela pia, pelo vaso, pelo acaso
Em meio aquela data especial borrada num calendário desimportante

Estava tudo ali, com as mesmas insignificâncias, claro equívoco.
Tudo que é afeto e suas conseqüências tem efeito cumulativo
Ausência e presença confundem-se na cabeça feito miragem
O que havia de mais grave agora era um monte de bobagem

Quem vai compartilhar do olhar que você atira pela janela
Quando pela noite é o sol que você queria ver entrar novamente?
Resguardamo-nos no sorriso meio de lado oferecidos pras acanhadas memórias
O tapete encardido não está mais no chão, mas está em tantas histórias
Daquelas horas velozes de um dia qualquer com jeitão de feriado
Quando a vida generosa alimenta as distrações
Equilibrando o fundamental em porções no prato raso

As horas mais bonitas escondem-se por trás das muitas mãos de tinta
Esconde-se pela poeira, no vidro da mesa, na cama, na cadeira
Na rede de balançar, nas frestas, nas festas, no que resta pra arrumar
Nos avanços das linhas do meu rosto que parecem velozes de mais
As horas mais bonitas dormem e acordam comigo e se protegem intactas
Entre as tantas outras cabaleantes que o esquecimento displicentemente desfaz.

[C. Farias]

*remoto controle.